domingo, dezembro 17, 2017

Um dia desses eu tenho que dar uma estudada/pesquisada/filosofada pra tentar entender como que o System of a Down conseguiu por um momento ser uma das maiores bandas de Rock (e até ter alguma relevância no big picture numa época onde o gênero já estava pouco popular).
They were such outliers. Like, how could they, at that time, have several hits filled with heavy drums and drop D guitars? E todos teatrais; é tipo Broadway Disney Heavy Metal. E, com umas letras doidas... acho uma banda tão curiosa. Na época não achava tão doido o sucesso; talvez esta seja a chave pra entender a coisa toda. Mas hoje em dia eu olho pra trás e
wtf? como que isso passou?

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Embora mais do que ano passado, comparado com a média do Artur esse ano eu postei pouco.
Mas no pouco que postei foi extenso pacas, né? O costume aqui é post relativamente curto e esse ano tiveram uns longões.
É, bem condizente com o que o ano foi, de certa forma. Poucos, mas extensos e meaningful, fatos.  
I guess.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

Me dei conta outro dia que 2017 foi o primeiro ano que não fui a um estádio ver um jogo do Fluminense desde 2003. Bizarro. 12 anos indo no mínimo a um jogo.
Vou me propor um desafio de lembrar de um jogo de cada um desses anos, descrevendo-o:

2004 - Flu x Madureira no Champ Carioca
Por que lembro que fui nesse específico? Porque eu guardava o ingresso desde que o Maraca foi renovado e esse era sempre o primeiro do montinho (por ser o mais velho); então sempre via. Lembro de ver o Edmundo fazer gol pelo Flu e achar muito doido aquilo.

2005 - Final do Carioca contra o Volta Redonda
Parece bobo, mas foi muito histórico esse dia para mim. Pra começar, foi a última vez que falei com meu avô. Ele já tava total debilitado, morreu poucos meses depois. Antes de eu partir pro estádio, passei na casa dele, onde rolava um almoço de família. Vestia um "chapéu do Papa" com o escudo e um "a benção João de Deus", porque pouco antes naquele ano João Paulo II tinha morrido. Tio Tovinho pegou o chapeu e perguntou "Sabe o que é isso?", apontando pro escudo tricolor. "Fluminense", ele disse num raro momento de lucidez e entusiasmo. Aproveitei a "presença" dele e puxei papo;"Pois é, Vô... to indo ao Maracanã pra final do Campeonato Carioca contra o Volta Redonda!". Ele então franziu as sobrancelhas e disse com espanto "Volta Redonda?!"
Todos riram. Eu dei de ombros e falei "Pois é, Vô... todo mundo ficou surpreso também". Foi também o primeiro título que vi in locco no estádio.
Fui eu, Humberto e Cesar e a Naty(!), o que foi muito legal, ver um título com uma namorada.  Lembro de o pós ser muito bom, ficar vendo mil mesas redondas e ainda transar... pro Dudu de 20 anos isso era tudo que ele podia querer.

2006 - Fluminense x Paraná, Brasileirão
O que me faz lembrar desse jogo foi porque paramos o carro naquela antiga ruazinha entre o canal e a Avenida Maracanã e ASSIM que desci do carro... encontrei uma nota de 50 reais! Porra, valia muito dinheiro aquilo! Fiquei mó feliz e gastei tudo no estádio, todo mundo bebendo coca-cola, comendo pipoca, picolé e o escambau. O Lenny(!) ainda fez o gol da vitória e nos colocou na liderança do campeonato! Mas o ano foi tão bosta, que essa foi a única rodada que ficamos lá. Depois foi caindo, caindo e quase caiu literalmente, salvo por um gol do Claudio Pitbull (pqp, o bom de lembrar essas porras é ver que nem tá tão mal hoje em dia). Esse ano também tinha meus amigos de 460 para o Maraca, o Nathanael e o filho (sobre os quais já falei aqui no blog). Como será que eles estão? Espero que bem. Esse ano teve um outor jogo que lembro também que foi contra o Botafogo na Sulamericana e nos penaltis o Marcelo (ou foi o Marcão?) fez o gol da classificação e na comemoração eu contraí tanto o músculo que deu cãimbra e fiquei comemorando no chão enquanto o Gui e o Cabeção e mais alguém corriam pela arquibancada meio-vazia.

2007 - Fluminense x Friburguense, Carioca
Ficou surpreso que eu não lembrei da Copa do Brasil, né? Eu fui a todos os jogos no Rio dela (exceto a derrota para o América-RN. Pé quente!) Mas lembro muito desse, a estréia do carioca em rodada dupla com o Botafogo, porque foi a primeira vez que transei com a Maju. Depois de termos acordado que ia rolar mais ou menos nessa época, - além de estarmos fazendo 1 mes de namoro, ou algo assim, eu tinha quebrado o pé na nossa terceira saída e só agora tinha tirado o gesso, então sabia que a qualquer momento podia rolar - o clima surgiu e aí de repente a coisa foi acontecendo e aí... eu brochei! E eu queria TANTO que fosse super especial pra ela, era tão apaixonado por ela... Como toda mulher, ela foi acolhedora, sem se aperriar com o acontecido. Fomos para o jogo, rodada dupla. Primeiro jogo ela assistiu comigo, na Verde. 1x0 pro Flu. Segundo jogo fui pra Amarela com ela. Comecinho da Loucos Pelo Botafogo, nem tinha Legião Tricolor direito ainda - só reparei eles no jogo contra o Bahia na Copa do Brasill; eu nas azuis, achando aquilo lindão. Aí cara, o Madureira tava botando mó jogo duro e no final, empatado, eu torcendo muito pro Botafogo ganhar, porque porra... além da minha brochada, o Botafogo ia fazer isso com ela?! Acabou 2x2 mesmo. Voltamos pra casa dela e lá finalmente deu tudo certo. Pudemos apagar pelo menos parte do que não dera ccrto no dia.

2008 - Sei lá, todos...fui a todos em casa + uns fora
Porra, difícil selecionar um jogo desse ano. Teve meu primeiro jogo de Libertadores da vida, um 6x0 contra o Arsenal de Sarandi com talvez o gol mais bonito que vi ao vivo... Fui com Belga, Keko e Lulu. Energia irada, maraca lindão. Tem o Fla-Flu do Créu, que foi divertido. Tem o Flu x São Paulo que quando o juiz apitou o fim do jogo eu não entendi nada, porque não tava ligado que o gol tinha sido aos 45 do segundo tempo, achava que ainda tinha jogo pra caramba. O Boca e a certeza de que meu time era gigante, a cresnça até o último penalti contra a LDU de que aquilo era só mais um script improvável do Fluminense (e era; só que contra) e eu ficando inerte só me dando conta que era hora de ir embora quando, logo após eles levantarem a taça, um cara com seu filho, alguns metros distante, falou: "epa... tu tem aula amanhã!"
E ainda tem o primeiro jogo que vi fora do Brasil! Flu x Arsenal, ainda na fase de grupo. Foi um ano marcante.

2009 - Fluminense x LDU, Final da Copa Sul-Americana
Aqui não tenho dúvidas. A semi contra o Cerro Porteño foi bem maneira também, a torcida tava cantando muito pesado e a porrada no final com o Muay Thai afiado do Fernando Henrique foi legal também. Mas esse foi o jogo mais foda da torcida do Flu que eu já fui. Visualmente, com aquelas luzes que subiam, conceitualmente, com a faixa que dava a volta e falava "A melhor torcida do mundo" e também no canto. Foi uma pressão muito foda e o time fez o que dava. Diguinho na performance de sua vida e se o Fred não tivesse perdido a cabeça acho que dava pra meter mais um golinho. Time de Guerreiros era foda! Que improvável aquilo tudo que aconteceu no segundo semestre do time.

2010 - Fluminense x Guarani, Campeonato Brasileiro
Meu primeiro título de Campeonato Brasileiro no estádio. Quase não fui! Não pude comprar ingresso porque fiquei a semana toda dedicado à campanha. E aí teve aquele rolo da Luciana inscrevendo os sócios na surdina e eu tava lá e filmei e ficamos vigilantes e minha vida pessoal tava uma loucura, tava no pior momento da briga da Barry Nice no pior ano da minha vida; me conteitei que não ia assistir o título, mas pelo menos tinha ganhado a eleição e seria campeão do mesmo jeito. Mas a vida resolveu me dar uma colher de chá e eu tava em casa quando alguém no Fluonline falou que tinha dado na rádio que um lote maluco de ingressos novos que tinha chegado no Flamengo. Tava de cueca, botei uma roupa e saí correndo. Cheguei da Almirante Guilhem até a Raul Machado em 2 minutos! Comprei! Quando saí de lá, já tinha uma fila giga atrás de mim. Quando cheguei em casa já tinham acabados os ingressos. Era pra ser! Fui com o Nelson. Fiquei de encontrar o Gui no Baixo Gavea ou no Clipper, mas acho que, com tudo que falei, foi uma escarga de adrenalina tão grande, que tive um blackout e não lembro o que aconteceu. "Despertei" as 3h da manhã comendo Haggen Dazs de Doce de Leite e assistindo "Pineapple Express", sem a menor idéia do que neste interim desde as 20h.

2011 - Fluminense x Bangu, primeiro jogo do Champ Carioca
Por que? Pelo simples fato de estar lá, eu, Milho, Nelson, Anna e Mila, primeiro jogo logo após o último que citei e aí, primeiros lances, o Carlinhos erra o cruzamento e um maluco atrás de mim grita a plenos pulmões: "Esse merda não acerta UM cruzamento!!!".
And I'm like: really?! Eu virei pra ele e falei "O último cruzamento que esse cara fez, deu um título que você nunca tinha visto na vida!"(porque o cara tinha menos de 24 anos, com certeza). E completei "Então cala a porra da sua boca que só tá saindo merda daí". Esse jogo fica na minha memória pois sempre lembro dele pra mostrar como nego é mal agradecido, imediatista e utilitarista quanto a sua suposta "paixão" por futebol.

2012 - Fluminense x Palmeiras em Presidente Prudente, jogo do título Brasileirão
Meu segundo título brasileiro in locco. E dessa vez trabalhando pelo Flu. Depois, sendo o Flu. E depois quase morrendo! Já escrevi sobre esse dia aqui também. Esse ano tiveram vários jogos memoráveis que vi no estádio. Fla-Flu do centenário, Flu x Palmeiras do primeiro turno por algum motivo doido, Flu x Gremio...

2013 - Fluminense x Goiás, no Serra Dourada
Esse também foi difícil de escolher. A libertadores em si já foi massa. Vi meu primeiro jogo em São Januário, que acho um puta estádio. Levei a Luisa ao estádio pela primeira vez e foi logo depois do Rio Content Market, o que foi uma pira, porque levei também o Mark Warshaw e uma galera de transmidia! E o Mark elogiou a açã do "Você na liderança" do Decida o Tetr4 e foi surreal o grande nome da transmidia elogiando meu projetinho de transmedia. Vi o Flu no Chile, no Equador, no Paraguai... vivi o tal "Clima Libertadores" em especial nesses últimos dois. Aliás, Quase botei Flu x Olimpia como o jogo a ser lembrado; foi uma experiência antropológica incrível (sobre a qual, adivinha!, também escrevi aqui em dois posts) e fiz altas imagens (que nunca foram vistas, porque perdemos...). Também pensei em colocar Flu e Goiás no Serra Dourada, porque foi uma viagem irada e o Serra Dourada é foda (e, pra variar um pouco nas memórias desse ano, ganhamos essa!), mas não tem como não botar o que foi o meu último jogo pelo Fluminense. Foram dias doidos... eu tinha acabado de ficar 13 dias na China(!) filmando o Conca pra FLU TV e voltei dividindo meu tempo entre o Flu e as filmagens do meu primeiro longa "A esperança é a última que morre" e eu já tava vendo que o Jackson Vasconcellos não ia sair do Flu, então significava que o clube ia para um caminho que eu não queria, que o Peter, que tinha nas mãos a chance de fazer o que era realmente importante, preferiu o ego e a "política" e a Flusócio era frouxa, cabaça e inútil no fim das contas e o Pedro Antônio já "hovering" em cima desse circo todo... o que me fazia saber que aqueles eram os meus últimos dias ali. Nunca esquecerei os segundos onde um filho da puta que merece tudo de mal no mundo falou "O São Paulo fez gol!", logo após o Samuel fazer o nosso gol. Aquilo significava que era o gol da permanência. Abraçados, nos olhamos, os olhos da Mari cheios de lágrimas... Mas o São Paulo nunca fez gol; por que esse babaca - que era tricolor! - inventa isso?! A troco do quê?!
À noite, fomos pra piscina. Eu, Lucas, Mari. Millozs tava também. Amizade boa. Saudades da rotina com uns dos melhores profissionais com os quais trabalhei. Eu falava "porra, tricolor em toda terra no maranhão contra o Sampaio Correia; agora é hora de ganhar o Brasil nas áreas onde não iamos!". Graças a Deus por André Santos e a burrice rubro-negra não caímos!

2014 - Fluminense x Coritiba, Brasileirão
Meu primeiro jogo como civil de novo? Foi o dia que conheci o André! Ele era todo mudo ainda, não era o muleque zoadeiro "carioca" que ele é hoje em dia. Tava competindo numa regata aqui no Brasa e aí eu, Luisa e Olga levamos ele e outros gringos pra conhecer o Maraca.

2015 - Fluminense x Gremio, Brasileirão
A estréia do Ronaldinho Gaucho. Tinha que ver, né? Quase o "quem não viu não vê mais".

2016 - Fluminense x Atletico-PR, final da Primeira Liga em Juiz de Fora
Um mês e pouco antes de eu vir pros Estados Unidos. Minha despedida. Fui de carro com Lucas e Thaissa. Eu tava mega economizando e o Lucas foi bondoso de me dar o ingresso e a carona e a Thaissa de deixar eu dormir no quarto dela no hotel. Chegamos em cima da hora! E o pior, os ingressos tavam lá dentro com a Mari ou com a Talita, não lembro. E aí o Lucas entrou e foi procurá-los, mó rolo. Mas aí conseguimos. Foi show. No final teve aquela palhaçada da polícia, como de costume. Levei muito gás de pimenta, uma bomba estourou do lado da gente e é foda não coçar o olho e tal... fiquei chorando e cheio de meleca, respirando devagarzinho (dica pra quem não sabe o que fazer nessa hora e desespera). O que importa é que foi meu quarto título nacional in locco e depois fomos pro centro, encontramos geral e foi mó divertido, muito bom como despedida. Voltou no carro também o Ufo e lembro bem de tudo isso. Tava pronto pra nova fase da minha vida, longe do Flu.

sábado, dezembro 09, 2017

Lembra do New Radicals?
Daquela música "You get what you give"?
Pois é, é isso que ficou de legado. Uma one hit wonder (embora tenha a outra musiquinha semi sucesso "Someday we'll know"). Lembro que o cara lá, o Billy Corgan cover Gregg Alexander, botou toda uma banca, pegou uma postura meio hip-hop e called out Marylin Manson, Courtney Love, Hanson, Beck... e era todo estrela, se achava o roqueirão com uma música que sonoramente tava muito mais pra Hall & Oates do que pra Motorhead e que tematicamente podia ser um hino para igrejas safadas ("você só consegue o que você dá") num clipe meio vergonhoso onde ele, todo awkward branquelão, tentava se portar como uma figura entre o Kurt Cobain e o DMX. E aí, petulantemente certo de que seu legado estava sedimentado com apenas isso, disse que ia acabar como New Radicals e passar a escrever e produzir outros artistas, porque ele já tinha zerado o jogo do artista.
Pois é, fera... exagerou. Hoje, quase 20 anos depois, o que é o New Radicals para a música? Desculpe-me se pareço grosseiro, mas é uma parada que mexe comigo o grupo de pessoas que não consegue botar o ego em cheque e jogam no lixo algo que, bem ou mal, funciona e agrada tantas pessoas. Não é o caso específico do New Radicals - como disse, 20 anos depois não faz tanta falta, né? - mas o tanto de banda que poderia ter feito tanta coisa incrível e não fez por picuinha boba (The Police, Blink 182,  toda uma geração de bandas no início dos anos 2000...). Não dava pra ser profissional, gravar, fazer a turnê cada um no seu ônibus, sem interagir muito?
Você quis dizer que os Novos Radicais são aqueles que chegam cheio de dedos para os outros, mas logo se recolhem porque não querem aguentar as consequências? No final das contas, parça, a melhor coisa da sua banda acabou sendo o nome mesmo.

sábado, novembro 25, 2017

Niterói, 25 de Novembro de 2017

Apesar do Sol estar agindo de forma intermitente, a brisa o faz não ser inconveniente. O cachorro está arredio por algum motivo. Já tentou atacar 2 outros; o que não é do seu feitio. Vou andá-lo para cansá-lo, afinal vou passar o dia em Ipanema e ele só tem dado problema. Tem ruído o sofá e qualquer coisa que tenha ponta. Quanto mais cansado, na teoria, menos apronta.|

No início da praia de Icaraí, como todo sábado, tendas armadas fazendo publicidade por permuta política. Hoje é um hospital em Ingá e, com tudo que vemos no noticiário, não tenho como não pensar que a "ação" é uma das contrapartidas que o político dá em troca do valor que ele leva na licitação, no superfaturamento das obras, dos produtos... Mas como se tocasse um sino, desperto destes pensamentos com o horrível som do violino de uma moça que toca no "evento". 

Vou em direção ao Ingá, mas não fujo da política por lá. Um senhor tem um megafone e um adesivo escrito "vovô" no chapéu em seu cuco. Aproveito que o cachorro está cansado pra ficar parado e ouvir o maluco. Ele aproveita a caminhada matinal pra fazer pronunciamentos políticos. Mas vive no passado, fala sobre as pessoas que votaram em "Moreira Franco". Tudo bem que não existe passado na política - os de ontem são so de hoje e os de amanhã sempre - mas ele não estava criticando sua ação atual de ministro e sim sua eleição de prefeito em Niterói há mais de 30 anos atrás. Uma vovó passa por ele e bate palmas, mesmo sem ter ouvido nada do que ele fala. A mera ilusão de um "semelhante" (leia-se um velho) exercendo sua voz e não sendo uma figura decorativa (embora fosse) lhe enchia os brios e a libertava da culpa do comodismo de ser ela própria uma figura decorativa sem responsabilidades com nada que não o passar dos tempos até sua morte.

Nas pedras da praia, tirando uma selfie com sua filha mais nova, uma moça rechonchuda e compacta - com uma calçola grande fazendo a hercúlea missão de segurar dentro todo aquele bundão - tenta mil poses e cliques para que a foto mais tarde renda muitos likes. Essa vive no futuro. E aí não aproveita o presente, se encontra ausente em baixo do sol intermitente, que, por causa da brisa, não se faz inconveniente.

Paro e penso, vendo esses exemplos de pessoas que vivem no passado e no futuro e, sabedor que equilíbrio emocional é viver no presente. me pergunto: como exatamente se vive no agora? Quem nessa praia vive o presente?

Não creio que o presente seja um valor absoluto. Ele não existe. O passado e o futuro tem sempre memórias e esperanças sendo adicionadas a ele. É eterno. Já o presente é sempre um único espaço/momento. E é sempre subtraído, dando lugar a outro. Talvez, o jeito certo de olhar isso, seja imaginar um espectro que contenha os três tempos, tipo um "nível" de construção, o qual temos que balancear para ficar o máximo ao centro/meio. Talvez, escrevendo sobre isso, que já é o meu passado e de alguma forma planta um futuro, eu esteja vivendo da melhor maneira um equilíbrio entre passado, presente e futuro.

terça-feira, novembro 21, 2017

Essa história de que cachorro não tem memória longa, de que, pra ele, quando você volta pra casa depois de sair um tempo, é como se não tivesse passado nada... it's a load of crap.
Hoje eu cheguei em casa e o Pastrami tava deitado no sofá e, ao invés de, vir até a mim, chorar loucamente dando pulos de 2 metros de altura até que eu fizesse carinho nele - como é de costume - ele ficou quietinho no sofá, só com os olhinhos me observando, porque tinha comido mais uma capa de CD (daquelas de papelão). Aí eu fiquei falando como ele era um cachorro feio e que eu não aguentava mais isso e que poxa; dessa vez eu tinha deixado brinquedo para ele gastar o dente dele, então ele fez de sacanagem... e ele ficou me ouvindo, quietinho, com cara de cachorro manco.
Eu até sentei no sofá e ele veio botar a cara no meu colo tipo pedindo desculpas. Aí me virei pro outro lado, ficando de costas pra ele... e lá foi Pastrami pro outro lado pra tentar colocar a cara no meu colo de novo.
To falando! Ele sabe que fez merda. Tem nada de poucos minutos. Fez merda e ficou todo "putz, quando ele chegar ele vai ficar bolado. Vou me fazer de santo!". Isso deve ser um mito inventado pelos próprios cachorros pra que a gente não dê bronca neles. Pra que eles continuem fazendo xixi/cocô e quando a gente perceber tarde demais, não poder dar bronca, esfregar o fucinho lá pra dizer que tá errado, porque eles "tem memória curta, então não vão entender porque você tá fazendo isso". Yeah, right. You sneaky dogs.
Ah é... adotamos um cachorro! 

(6 meses atrás, actually. O nome dele é Pastrami)

segunda-feira, novembro 20, 2017

3 de Setembro de 2015

Como vocês sabem sou roteirista e no dia 3 de Setembro de 2015, meu primeiro longa foi lançado.

O nome do filme é "A esperança é a última que morre" e, se você tá achando quejá faz muito tempo para eu estar falando sobre isso agora... meu amigo; a história desse filme (e de muitos outros no cinema brasileiro) é assim mesmo... leva MUITO tempo. Não é mais um dos meus devaneios egóicos e/ou depressivos não; desde que eu escrevi o primeiro tratamento até ele chegar às telas MUITA COISA aconteceu.


Sério, em 2008 eu tinha transado com 3 garotas na minha vida toda. Em 2015 eu tinha transado com CINCO garotas!
É um aumento de 40%.

Em 2008 eu ainda morava com a minha mãe! Corta para 2015 e... eu tava morando com a minha mãe de novo, mas DEPOIS de ter saído da casa dela e ido morar sozinho, falhado miseravelmente e voltado pra casa. Viu? Não disse que foi muito tempo?

E não é só na minha vida pessoa. O filme mesmo passou por mil altos e baixos; um tragicamente literal: o prédio onde ficava a produtora do filme desabou no meio do processo todo, adiando a pré-produção por um ano! Juro! Googla "Theatro Municipal 2012 Desabamento Rio de Janeiro"

Aí filmamos em 2013, esperando lançar o filme em 2014, depois da Copa do Mundo, mas aí começou a dança das datas. Era para lançar em Agosto, depois em Dezembro - o mês dos grandes blockbusters - aí foi pra Fevereiro de 2015, Abril, Março e depois Setembro, aí foi adiantado pra Agosto e finalmente foi para 3 de Setembro, data na qual estreou mesmo.

Enquanto isso tudo acontecia, eu ficava sempre olhando pro título do filme e pensando "'cê tá de sacanagem com a minha cara, né?". Toda vez que algo adiava o lançamento e eu lia "A esperança é a última que morre" era de trincar o pênis. Próximo filme eu vou dar o título de "O roteirista milionário"

Enfim...

Depois de muitas mudanças de data, finalmente chegou a hora. Na noite anterior eu vou pra cama e, surpreendentemente, durmo bem tranquilo. Sem preocupações. Eu estava em paz. Todas aquelas mudanças de datas não me incomodavam mais. 3 de Setembro estava na esquina e era pra ter sido. Era perfeito. Finalmente meu dia tinha chegado.

Mas aí, por volta de 3 da manhã da madrugada de 3 de Setembro... eu acordo.
Com um grande estrondo e luzes lá fora. Muito alto e muito intenso. Dura um pouquinho, intermitente, até que cessa e eu volto a dormir.

Quando eu acordo e entro no Twitter pra twittar "YEAH, FINALMENTE! MEU FILME ESTÁ NOS CINEMAS!" e todo mundo tá lá twittando sobre o estrondo e as luzes. Pessoas de até 3 bairros de distância. Eu pensei comigo "uau, eles também? crazy stuff- enfim...MEU FILME!!!"

Eu corro até a cozinha para a mesa do café; é hora de ler a crítica no jornal! Minha primeira!

Eu chego à mesa e minha Avó está lá. Ela acorda e lê o jornal todo e as notícias na TV antes de todo mundo, então eu pergunto:
“Então... você viu?”
“SIM.”
“e? ai meu deus...quantas estrelas?”
“estrelas? Eu acho que foi uma explosão! mas a Marinha tá dizendo que não lançou nenhum míssil ontem a noite"

argh... ela tava falando dos barulhos de ontem à noite também. Que tal falar sobre o MEU FILME, MINHA SENHORA??!

Eu olho para a TV e vejo um cara com óculos falando à câmera. Atrás dele, uma tela de computador. E uma persiana fazendo aquela sombra filme noir na parede atrás dele, saca?

Foi ali que eu me dei conta de que estava fudido.

Fucking 3 de Setembro seria para sempre lembrado NÃO PELA ESTREIA DO MEU FILME, mas para uma porra de um caso de OVNI.

Quer dizer; um caso de um SUPOSTO OVNI. Mas o lance é que o SUPOSTO da frase não importa para esses dodóis, esses nerds, peter pan, tarados por disco voador, BARBADOS que não tem nada pra fazer da vida.

E é isso. No futuro, quando as pessoas olharem no "esse dia na história", em 3 de setembro de 2015 não vai estar o lançamento do meu filme, que demorou uma vida para nascer. Vão estar luzes e barulhos que pessoas - que não conseguiram definir a origem real dos mesmos - decidiram acreditar ser atividade extraterreste.

E dane-se também, sabe. Eu estou em paz com isso. Mas não consigo não rir disso também. Tipo... Eu tava lendo um artigo sobre e... meu Deus, tem tanta coisa pra dizer...

Primeiro, uma passagem do texto diz: "o acontecido gerou tanta curiosidade que um renomado especialista de OVNIs foi chamado para investigar o caso"

A piada não tá na palavra "especialista". Porque ser um especialista... não significa que você é bom ou ruim'só significa que é a coisa que você passa mais tempo fazendo. Tipo, minha especialiadade é provavelmente masturbação. É o que mais faço. Não significa que eu sou bom nisso ou o que seja. Só significa que é o que é mais especial pra mim. Assim como, tenho certeza, OVNIs são provavelmente a ÚNICA coisa especial nas patéticas vidas dos supostos especialistas de OVNIs.

E você sabe que o que é o mais triste é que eles provavelmente *conhecem* masturbação e MESMO ASSIM preferem OVNIS.
Né? Fico pensando se alguns deles, inclusive, não combinam as duas coisas.
Enfim...

O que é reeeealmente engraçado é a palavra RENOMADOS!!

RENOMADOS especialistas em OVNIS. Sério? Por que eles são renomados exatamente?

Eles resolveram algum caso de OVNI? Eles provaram a existência de alguma forma de vida extra-terreste voando sobre o nosso planeta?

No meu entendimento, renomado significa que você ganha reconhecimento por algo bem feito, certo?
Como é isso exatamente quando você é um especialista de OVNI, ou seja, de um Objeto Voador Não Identificado?

"Bom, após muitas considerações, estudos profundos e pesquisa, eu posso facilmente dizer que nós NÃO pudemos identificar o objeto voador, classificando-o, portanto, como um OVNI"
"uau, esse cara... ele é bom"
"Tenho de reconhecer seu renomado trabalho"

E o que é mais triste para mim pessoalmente é que esse... é o meu trabalho dos sonhos!
Você recebe dinheiro pra FALHAR!
(Quer dizer... eles recebem pra isso, né?)

Se forem, por favor! Alguém me contrata que eu quero também! Estou cansado de falhar e ser demitido por isso.

Imagina só! Ao invés de pedir perdão por não ser capaz de fazer seu trabalho, você dá entrevista na TV, ganha uhu high five parabéns!

“Então...Eu não sei ao certo o que é aquilo. Não posso provar se é uma nave e não posso dizer também se é um avião ou o que diabos é. então eu vou chamar de OVNI"
“bom trabalho, cara!”
“você é pica”

Agora, imagina um médico dizendo para um paciente que ele não pode dizer se é uma mancha na impressão da ressonância magnética ou um câncer?!?

E po, eu entendo que é uma história que eles querem acreditar, mas... qual é. Aliens sobrevoando o BRASIL?! É uma história que eles PRECISAM acreditar, né?

Por que os aliens iriam sobrevoar a porra do Brasil?! Pra que? O que eles gostariam de aprender sobre o ser humano que nós podemos ensinar? Como furar fila e roubar? Futebol não era, porque era 2015 e o 7x1 tinha acabado de acontecer. E você não pode dizer também que eles tavam só passando por ali, à caminho de outro lugar, porque essa desculpa já foi usada em Varginha, o primeiro (e único) grande caso de OVNI registrado no Brasil lá pelo ano 1996.

Aliás, falando em Varginha... argh.

Uhum. Aliens na Terra... podiam ir pra Grécia estudar mitologia. Egito, até as antigas civilizações peruanas, Macchu Pichu e tal... mas não. Eles foram pra "Varginha", uma cidade do interior da rural Minas Gerais deste país de 500 anos de idade.
Por que, Senhor?!

Mas ei! Espera um pouco! Acabei de notar uma parada aí. Um padrão!

Roswell... era uma cidade pequena também, certo? Rural, até.

Claro, agora é famosa mundialmente, mas naquela época era provavelmente igualzinha a Varginha.

Eu não sei o que os renomados especialistas de OVNI diriam sobre o porquê dos Aliens terem escolhido esses lugares. Logicamente, eles diriam que estariam evitando lugares com muita gente (testemunha); para o que eu responderia "Sabe o que não é lógico? ALIENS!"

Então, eu vou arriscar e dizer que os Aliens são tipo fazendeiros de outro planeta, um planeta que alcançou o pico de urbanização, então eles vieram para a Terra à procura de um lugar rural onde eles possam fumar maconha e enrolar feno de boas. Tudo que eles querem é ficar na deles e seguir a vida.

Então... DEIXEM ELES EM PAZ E DEIXE 3 DE SETEMBRO DE 2015 SER A DATA DE ESTRÉIA DO MEU PRIMEIRO FILME E NÃO DOS POBRES FAZENDEIROS ALIENÍGENAS!

Beleza? Beleza.

quarta-feira, novembro 15, 2017

Você já sonhou em ter um superpoder? Claro que já. Todo mundo já.

Eu descobri que tinha um superpoder bem cedo. Tinha 6 ou 7 anos. Era o meio de um jogo de futebol, tava caindo um toró lá no jogo e também em casa, de onde eu assistia, pela TV. Foi quando o meio campista lançou a bola na área adversária: o atacante saiu correndo para cabecear a bola, mas o goleiro o empurrou e ele caiu no chão; Pênalti! uhu! Vamos ganhar!

Eu fico de joelhos, pego um pequeno crucifixo, fecho os olhos e começo a rezar. Enquanto a câmera foca no atacante se preparando para chutar o pênalti, um raio cai por perto e o trovão ruge TÃO PESADO que a minha televisão treme. E foi ali... naquele momento eu descobri que tinha o superpoder... de prever se o jogador vai acertar ou perder o pênalti.

Não é voar... mas pelo menos eu tenho um superpoder; o que é tão especial sobre você?! Hein? Você tem visão raio-x? Se teletransporta pro outro lado do mundo em 2 segundos? Não, né? Então, chupa.

Enfim, desde aquele momento, eu passei a conseguir dizer se o cara ia errar ou acertar. E sabendo que eu tinha tanto poder e responsabilidade... eu fiz o que qualquer um faria nessa situação: explorei esse dom para ganhar dinheiro.

Mas era difícil, sabe? O jeito mais óbvio, é claro: apostando. Mas você tem que ir assistir um jogo e esperar acontecer um pênalti (e isso não acontece em todo jogo, a não ser que tenha o Vasco ou o Corinthians em campo) e tipo... tem que achar alguém pra apostar contra você.

E é perigoso também. Eu fui a um bar assistir um jogo e tava lá estendido um corpo no chão: pênalti! Tinha um broder lá muito feliz pela marcação do pênalti. O time dele precisava desesperadamente de um gol. Eu olhei pra cara do atacante e era bem óbvio que ele não ia acertar. Eu desafiei o broder. O resultado? Eu ganhei... um olho roxo. Porque ele ficou puto que eu acertei.

Então apostar não rolava. Eu tentei fazer de uma maneira mais profissional e ofereci meus serviços para times profissionais. Meu cargo era: Diretor de Penalidades Máximas. Sempre que tinha um pênalti eu era chamado. O batedor oficial ficava lá, parado perto da marca de cal, pronto para chutar. Se eu olhasse para a cara dele e previsse que ele ia errar, eu sinalizava pro Técnico, que ia e trocava o batedor.

No entanto, como em muitas histórias de super-heróis, eu me embriaguei de poder. Subiu à cabeça. E de repente eu passei a prostituir meu poder. Era tipo um leilão; eu trabalhava oficialmente para um clube, mas se um adversário me oferecesse mais dinheiro ali no momento do pênalti, eu não avisava o Técnico; deixava o cara que perderia o pênalti chutar.

Eventualmente a FIFA decidiu me banir do esporte, porque, não só eu estava atrasando o jogo com tudo isso; mas também porque eles não ganhavam em cima dessa transação. É... não pra cima de mim, seus ladrões de gravata!

Daí, decidi me focar nos jogadores. Se eu ensinasse-os a "aparentar" como se fossem converter o pênalti, então talvez eles conseguissem enganar o destino. Mas sei lá; parece que eles nunca colocaram os corações deles de verdade nisso, porque toda vez que eles tentavam eu conseguia ver que eles não iam acertar. Eu acho que eles nunca deram o melhor deles, sabe? Jogadores mimados.

Mas não desisti. Eu tentei trabalhar um outro ângulo. Não era mais enganar o destino, mas confundir o oponente! Se eles parecessem que iam perder o pênalti, talvez o goleiro ia relaxar e pensar que tava tranquilo e aí ia ficar mais fácil para eles acertarem, entende?

Então comecei a aconselhar os Técnicos a sempre ter jogadores que fingissem ser péssimos jogadores entre os 11 titulares. Quanto pior, melhor. E funcionou muito! Em certo momento, um Técnico tinha um jogador com apenas UMA PERNA em campo! Ele converteu sozinho 11 pênaltis naquela temporada. Só perdeu um, porque estava escorregadio e no último pulo dele em direção à marca de pênalti, ele escorregou e a bola foi pra fora.

Obviamente eu previ isso antes dele escorregar.

Eu era famoso em toda comunidade futebolística. A FIFA me queria morto (ou aliado a ela), jogadores e técnicos e torcedores me queriam ao seu lado.

Era uma alegria o poder que possuía? Claro. O mundo estava aos meus pés. Pensava que, sabendo o que iria acontecer, eu podia, no mínimo, shapear para fazer como se eu tivesse sido o cara que fez aquilo aparentar ser o que estava prestes a acontecer ser o que eu queria. Fez sentido? Tenho certeza que não. Era o tanto que eu estava embriagado de poder.

Até que, um dia, algo aconteceu que realmente mudou tudo para mim.

Era um jogo da Copa do Mundo e eu estava lá na torcida. Eu não estava trabalhando porque era Holanda vs. Angola. E, bom... coisas que você tem que saber sobre mim: eu odeio a Holanda! Eu sei que você deve estar tipo "por que diabos você odeia a Holanda, cara?!". Na real tem vários motivos, mas o principal é que a Belgica é muito foda e a Holanda é tipo o maior inimigo deles. E a Angola, a oponente do dia... bom, eles não tinham o dinheiro para me pagar, sabe? Eles são uma nação pobre e é um serviço caro. Fora que eles são vermelho e preto, que é a cor do Flamengo, então eu também não sou lá muito fã deles. Por que diabos eu estava no jogo, então, você pergunta. Porque o ingresso tava barato e era a Copa do Mundo, po...

Enfim; eu não estava trabalhando para nenhum dos dois times/países. Mas assim que o Holandês foi ao chão e o juiz assoprou o apito sinalizando o pênalti, todos os jogadores - os de Angola e os da Holanda - eles meio que fizeram um círculo ao redor do Angolano que iria chutar.  Eu não conseguia ver além deles e, momentos depois, todos desbandaram em direções diferentes e foi aí que percebi... tinha uma MÁSCARA na face do cobrador do pênalti!

Ele coloca a bola na marca, eu tento olhar os olhos do batedor dentro do buraquinho da máscara, mas não consigo! Não dá pra dizer se ele vai acertar ou perder o pênalti!

Minha mente corre, meu coração bate... que.diabos.vai.acontecer.agora?!

Eu fecho meus olhos e começo a ouvir apenas barulhos. Sem dizer o que iria acontecer.

O batedor mascarado corre até a bola...
a torcida vai à loucura...
ele chuta a bola...

E no meio do caminho...

A bola vira uma pomba, que vira uma bomba, que destrói Israel e inicia a Terceira Guerra Mundial, que eventualmente destroi o mundo e só um Homem sobrevive e ele se masturba até o fim dos seus dias, que acontece por causa de uma hérnia fatal.

Ou então foi gol e foi tão incrível que eu decidi nunca mais usar meus superpoderes de novo.

terça-feira, novembro 14, 2017

A "Bavaria" é a prova da superestimação da publicidade e o "top of mind".
Nego investiu milhões na contratação do Leandro & Leonardo, Zeze DiCamargo & Luciano, Chitãozinho & Chororó, botou o comercial em heavy rotation na época, o jingle ficou (e ainda está) onipresente em nossa cabeça. Inclusive quando se fala em sexta-feira lembra-se do mesmo e até cantamos... (ou é só eu?)
E mesmo assim... quem bebe Bavaria?
Vou te falar... acho que nunca nem VI uma Bavaria "em pessoa". Alguém já? Ou é tipo chester, escudo e outra coisa que não lembro o que era que ninguém nunca viu em pessoa?
E não é questão de "ah, mas já passou muito tempo!". Nem na época você via a cerva nos bares.
Se você não tem um bom produto e boa distribuição, do que adianta geral lembrar de você?
Não tem jeito. A essência é mais importante que a embalagem. E que bom que seja assim.

quinta-feira, novembro 02, 2017

(Originalmente Setembro de 2015)
Semana passada foi aniversário da minha namorada e fomos no Zaza Bistrô, um pequeno restaurante em Ipanema. É um daqueles lugares bonitinhos, bem decorados, cheio de pequenos detalhes "sacados" dos nomes no cardápio até os azulejos do banheiro. E fica a um quarteirão da praia, a comida é ótima, os garçons atenciosos... nota 8 de 10.

Éramos 5; eu, Luisa (minha namorada), a mãe e o pai e avó dela. O almoço foi ótimo até que a conta chegou.

Veio num baldinho azul bebê. Meu sogro pegou a conta tão rapidamente que eu não consegui nem fazer aquele jogo de "Oh, eu ía pagar, mas se você vai...tudo bem"

Porém, enquanto eu reclinava de volta, reparei que tinha algo dentro do baldinho além da conta: pequenos pergaminhos amarrados com fitas azul marinho. Tão fofa, pareciam tão... inofensivas.

Então falei "Ei, pessoal, olha só... eu acho que é tipo um biscoito da sorte, mas sem biscoito; só a sorte!"

Por que eu fiz isso...? Por que eu sempre falo quando devia ficar calado? Eu juro por Deus, eu tenho medo de ir a casamentos, porque eu SEI que quando o padre falar "Se alguém tiver algo contra que fale agora ou cale-se para sempre", eu simplesmente vou falar alguma coisa. É certo.

Enfim... Todo mundo achou muito fofo e minha namorada pegou todos os pergaminhos e distribuiu para cada um na mesa.

Eu abri o meu e dizia:

“Sério, cara. É hora de você fazer alguma coisa sobre sua vida."

...

Eu não lembro direito a ordem das minhas reações... mas tinha vergonha, raiva e medo rolando. Em retrospecto essas são algumas das minhas mais emoções/reações mais recorrentes MAS elas eram tão fortes, que me surprendi que ninguém tenha notado o treco que eu estava tendo.

Tudo aconteceu em segundos, mas de repente eu tava tipo
“Isso é uma piada? Eu to no Candid Camera? Deveria eu, portanto, sorrir?"

Sem zoação? Eu de fato comecei a sorrir por tipo 3 segundos pensando que TALVEZ este fosse o caso. Mas pelo segundo 4 eu pensei quão surreal seria o Candid Camera estar gravando no Brasil. No segundo 5 eu argumentei comigo mesmo que talvez fosse algo tipo um "Candid Camera World Edition" e aí pelo segundo 6 eu comeceu a scanear o lugar procurando câmeras escondidas até decidir que não era nada disso.

Sim, eu perdi muitos segundos nisso.

E aí a Luisa "Olha o que meu diz: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"- Fernando Pessoa. Isso é TÃO eu!" e eu conseguiu sentir que ia dar merda mesmo antes dela completar dizendo "O que o seu fala, baby?"

Eu entrei em pânico.

Graças a Deus minha sogra foi rápida no gatilho e começou a ler o pergaminho dela. Eu não saberia dizer o que tava escrito porque, apesar de estar olhando para ela, eu simplesmente fechei completamente todos os meus sentidos. Tinha uma guerra acontecendo dentro da minha cabeça.

A parte direita do meu cérebro tava tipo “Yo, man... tem uma conspiração acontecendo aqui. Você tem que descobrir quem mandou essa mensagem! Isso é uma piada doentia da qual a gente deveria tá achando graça? Ou tem alguém por aí que SABE o quanto de um fracassado você é? A hostess na porta... deve ser ela. Ela viu você olhando pro decote dela e babando. Por que você sempre faz isso, cara? Por que você não consegue se controlar?! É patético, sabe? Você tem 31, mano. Pelo amor de Deus, toma tenência, deixa dentro da calça, seu tarado! Ou ENTÃO... peraí; é isso! Fato! Foi seu sogro! Ele tá puto porque você não pediu a mão da filha dele ainda!"

Já a parte esquerda do meu cérebro tava tipo: "'tá doido, filho da puta? Foda-se essa porra de QUEM mandou a mensagem. Claro; você é um fracassado. Enorme. E, mais cedo ou mais tarde, todo mundo vai se dar conta disso. Mas não hoje, não agora! Você tem que reverter essa parada, cara, mas tem que ser rápido, senão você tá fodido!"

Eu decidi ouvir o lado esquerdo... principalmente porque ele foi bem mais sucinto e, mesmo que ela tenha sido mais áspero, ele o foi com boas intenções, então decidi que ia fazer o que é o esquerdo com o direito-- quer dizer; o que era direito com o esquerdo.

“Amor? O que o seu diz?”

“ah... Eu não sei. Eu não peguei um.”

Saída brilhante, né?

O problema é que essa ação só me comprou um pouco de tempo, porque Luisa rapidamente pegou um pergaminho sobressalente no baldinho enquanto sua avó lia o dela.

Eu abri o sobressalente, que dizia:

“Você não pode esconder a verdade. Conta pra eles que seu filme é um fracasso comercial e como todas as partes menos horrorosas do filme foram idéia de outras pessoas! Conta pra eles sobre como você tá prendendo todo mundo no seu próximo projeto porque você é tão merda no que faz! E aproveita e corta esse cabelo; quem você acha que tá enganando com essas franjas? Todo mundo consegue ver essas suas entradas ficando cada vez maiores: você tá ficando careca, meu amigo!"

Eu consultei o Lado Direito e o Lado Esquerdo do cérebro mais uma vez, mas foi direto para a caixa postal, onde uma mensagem gravada pelos dois dizia que eles foram de férias para a Península do Maraú. Eu me senti um pouco mal que eu só me dei conta que eles eram gays a esse ponto, 30 e tantos anos da minha vida... e, além disso, pensei se isso me fazia gay também.

Não teve tempo de chegar a uma conclusão, porque logo depois Luisa perguntou:

“Então, o que o seu diz?!”

Olhei todos nos olhos rapidamente. Eles estavam esperando, interessados. E isso é bem triste, porque geralmente ninguém se interessa em nada que vem de mim. A única coisa que eles esperam é que eu saia logo do lugar e os deixe sozinhos.

Todos na mesa já tinham lido os deles. Eu olhei para o papel de novo, respirei fundo e disse:

“A habilidade de falar não te faz inteligente - Qui Gon Jin”

...

“Qui Gon Quem? Que diabo é isso?”
“É um poeta do oriente médio... você não conhece ele?”
“hmmm...não”
“é, ele morreu cedo. lutando esgrima. uma pena. E esse Donald Trump, hein?”


E foi assim que o Star Wars salvou minha vida mais uma vez.

sábado, outubro 21, 2017

Vejo uma luz
cruzo portais
Será que eu morri?
Não aguento mais...
Eu vivo enjoado, frio, tenso e sem cinto.

Sonho e calor,
traços iguais;
cortado ao meio eu só escuto vogais.
Confuso isso tudo; eu acho que ainda não sou sábio.
Do que vale o amor?
Eu juro; não sei!
Não acredito que isso aqui
é o fim de um Rei.

Viajo a rota dos planetas da sua testa
Esqueço então os 23,
como eu esqueci os 16,
esqueço o meu primeiro amor como eu esqueço um sonho.
Com os amigos radicais passei tempos bem legais
que vão ficando para trás como um Playstation.