terça-feira, dezembro 13, 2022

Coisa linda a busca pelo irredutível. Ir se livrando dos pesos e do que não cabe mais em você, fazendo o milagre de se tornar maior através da subtração.

Acho que você entrou nesse processo, Artur. Nossas últimas conversas quase todas giram em torno da inevitável distância que se criou entre nós dois. É comemoração de ter o que falar "tantos posts nesse ano!", que, sim, mostra uma vontade bonita de estarmos juntos, uma apreciação pelo que temos, mas no fim é mais evidência de que não estamos. E tudo bem. Foram 20 anos. A maioria deles de muita troca. As vezes até relevante! :P

Como tudo entre nós dois é aqui, no texto, esse é pra deixar claro: acabou. É o fim.

Só que o fim pouco significa, porque o tempo é elástico e cíclico - eu devo ter falado em algum momento sobre isso; eu devo ter falado já sobre tudo que eu posso falar aqui e é por isso que-- caraca, que metonímia to fazendo dentro do próprio post. É sinal de que devo continuar?! Foi só dar esse susto que a verve criativa voltou! Aí vamos nós; rumo a muitos posts geniais!

Não. 

Enfim... tudo está mudando o tempo todo e os fins são inícios são fins; the end has no end. O que não há mais é essa co-dependência. Você é um elfo livre. E nossa história continua; é interminável. Seja em reprises, seja em novos capítulos que podem até surgir entre nós dois, quando nos encontrarmos na energia de produção de novos conteúdos. Mas é um outro momento. De definitivo só o passado e pra ele existir (e com ele introduzir um futuro, dando fim ao presente no qual nos encontramos) é preciso dar um ponto final.

Ou, no seu caso, um negrito.

terça-feira, dezembro 06, 2022

quarta-feira, novembro 09, 2022

Existe algo como conhecer demais uma pessoa e isso ser ruim? O novo é sedutor. O conhecido é sem graça. E aí o que se faz? Você não se entrega total para que a outra pessoa não conheça tudo sobre você e o interesse morra? Afasta-se pra criar distância e com isso criar novidades que seduzem? Confia-se, "deixa viver" solto que "se for seu volta" e vive-se à vera pq assim se consegue - se não o reencontro - seguir em frente?
Já te digo.

sexta-feira, outubro 28, 2022

 2022 é o primeiro ano em muitos, muitos mesmo, onde não vou acabar dizendo "nossa, passou rápido".
e essa noção eu tive primeiro já no segundo trimestre do ano.

2022 teve uns 5 anos dentro dele. O ultimo mês sozinho foi 1 ano. Os dois meses anteriores são equivalente a 3 anos. É uma progressão geométrica reversa.

Acho massa. Importante.

domingo, setembro 11, 2022

que panico, tem que mandar o imposto de renda até o dia 15 e hoje é 11

eu nao sei fazer isso. uma pessoa morreu aqui em frente de casa e eu vi o momento. eu to com covid. minha reviravolta de vida que foi suada deu 180 como sempre e voltei a esse lugar de merda. mas foda-se, eu nao posso me esconder nessas "besteiras", tenho que ser adulto pq estou devendo ao mundo e o mundo nao me deve nada. estou acompanhado do mundo inteiro em estar completamente sozinho. socorro.

terça-feira, abril 12, 2022

Não falar com você vai contra a minha natureza. E acho que vc se identifica com isso. Em novembro você escreveu sobre isso. Eu não quero. Mas to tentando qualquer coisa pra ficar bem. Só que já não acho que vale.

Eu li msg de whatsapp de menos de um mês você falando que tava com muita saudade, que queria muito eu contigo aí. Essa é a verdade, o amor sempre é verdade, porque a gente não consegue fingir/maquiar isso. O que tá acontecendo agora é um bando de escudos de defesas que nascem do medo e da angústia. 

Eu só agora to conseguindo olhar de fora pra tudo, ver um ciclo que se concluiu, da vinda pros EUA. A gente deu as mãos e falou "vamos deixar tudo pra trás e nos apoiaremos até conseguir construir tanta coisa quanto já tínhamos no Brasil". Eu, por alguns motivos, não consegui fazer isso ainda. A gente chegou, eu fui fazer os youtubes pra gente poder ter dinheiro e se estabelecer. Esperando o visto, aí deu aquela merda toda, tivemos que voltar; eu fiquei parado fazendo o processo todo - aí já foram 2 anos de trabalho interno, sem expandir. Você não precisava se preocupar com isso, tava fazendo contatos, conhecendo gente e eu ficava e ainda fico muito feliz por isso. Depois, resolvido o visto, mas descapitalizados, fui trabalhar no site de real estate. Não havia expansão ali nem de carreira nem afetiva; era uma cidade longe com pessoas muito diferentes. Era um trabalho onde a troca era estritamente o dinheiro, a responsabilidade que eu tinha com a nossa base/fundação pra dali construir. No meio do caminho, você estava cansada de ser assalariada; queria sua própria empresa. Assim foi, eu permaneci no trabalho, até que no fim do ano eu saí de lá pra retomar minha carreira, que já não era há 3 anos prioridade em minha vida. Precisava disso pessoalmente - nós entendemos hoje - mas principalmente para podermos renovar o visto e assim ganhar mais tempo para que nossa base/fundação seguisse firme pra construir tudo que almejávamos.

Comecei o Polling Life e entendemos (entendi?) que aquilo podia ser o que nos garantiria mais um visto. E eu gostava - embora também não construísse relações no mundo físico. Mas com 6 meses, o peso e a responsabilidade do dinheiro (e acho que outras coisas) começou a pesar demais em você. Nossa união foi posta em cheque. É claro que eu faria qualquer coisa pra que isso não acontecesse. Imagina; eu larguei tudo que me constituía pra trás, dando a mão pra você, dizendo "eu consigo fazer isso porque você sozinha vale tanto a pena quanto todo o resto". Não ter você também... qual o sentido? É óbvio que eu largaria Polling Life pra que você ficasse feliz, porque o plano era eu e você making it. Do que valeria ter deixado tudo no Brasil se o final fosse esse? Independente disso, eu te amo muito, cara. Seu sorriso sapeca ilumina qualquer dia nublado. Seu carinho revigora minha energia. Não acredito numa vida sem você sendo melhor. Possível, pode ser. Melhor? Nunca. E você sabe que o mesmo se aplica a você em relação a mim. Que de todas as variações de vida que você viveu, quando a gente permite encontrar o melhor da gente, é algo inigualável, necessário, que a gente não quer e não deve viver sem. Só temos nos "protegido" demais. Subido escudo atrás de escudo, por algo que acho que não é culpa nossa, que não sou eu que to provocando em você, nem você que tá provocando em mim. A gente é aliado, a gente quer o bem um do outro. A gente se ama. E não existe amar de longe. Amar se faz junto, no viver.

Depois disso tudo, o grande baque que não se resolve nem mesmo depois dos acordos. A descoberta que nosso compromisso era diferente. Que sua forma de amar era inclusiva. Eu venho ainda aprendendo a ver dessa bonita forma, mas - no meio de tudo que estava acontecendo e tracei aqui desde nossa saída do Brasil, abandonando juntos tudo que tínhamos - foi/é muito difícil, pois o pequeno chão/base/fundação que tinha ruiu debaixo de mim. Onde posso colocar o pé agora? E isso acontece numa pandemia - com fascistas em tudo quanto é lado, com tecnologia nos viciando, mostrando tudo que não temos e não podemos) numa viagem de van pelo desconhecido (num momento onde estou há 4 anos só no desconhecido; você foi ao Brasil todos os anos, eu nunca. E por cuidado, por saber, no meio disso tudo, que se algo acontecesse - e tamo vendo que sempre pode acontecer - com meu visto, seria muito problemático pra você e pra nós. Um sacrifício em respeito, com responsabilidade e, sempre, amor e carinho por você e nós dois). 

De repente voltamos pros EUA e desde então, com os traumas do México, escudos a total força. Já não nos encontramos. Eu começo a terapia pra trabalhar em mim e melhorar e conseguir exatamente ver o todo, sair desse mundo pequeno (mas super complexo e pesado) que minha vida se tornou. É um processo. As vezes eu errei tentando forçar decisões que me prevalecessem porque no nosso desencontro você estava focada em se salvar e a gente já não conseguia conversar e se abrir e se cuidar por diversos motivos. Fizemos terapia em casal por muito pouco tempo e de uma maneira que acho que não foi muito séria. Podíamos ter feito mais, com mais frequência, por mais tempo. É simbólico. Mostra a vontade de fazer funcionar. Ficou claro que cada um tinha um chão. E talvez pudéssemos construir uma ponte que unisse esse chão? As coisas infelizmente não me ajudavam a construir essa ponte. Rolou o visto, demorou mas rolou o dinheiro do trabalho-- só pra parar de vir o dinheiro do trabalho. E isso me enlouquece. Talvez em outro momento não? Mas eu preciso muito disso, por mil motivos, dentre eles esse; construir a ponte, construir nosso chão de novo. E mesmo nisso tudo, entre os meus e os seus surtos com mais novos baque e dificuldades (cara, a gente passou e passa por muito e acho que a gente não acknowledge isso; a gente é muito duro conosco, individualmente e um com o outro) houve um momento aqui e acolá em que a gente se encontrou mesmo que não por inteiro e teve um pouquinho daquilo que é tão bom quando você e eu estamos desarmados e dispostos a nos vulnerabilizar diante ao outro. 

O doido é que quando você foi (eu li agora essa msg) você disse que comentou com alguém o quanto parecia que a gente se amava mais do que nunca hoje. A gente se "odeia" mais do que nunca também? Será que as dificuldades crescem proporcionais ao nosso amor? Mas ódio é circunstancial. Amor é permanente. Eu te amo muito. Eu quero muito viver nosso amor. Eu quero muito acordar e estar animado com o que vem pela frente. Eu não tenho mais nada disso. Eu deixei pra trás um mundo - que seguiu andando sem mim - e o que eu tinha parece estar ruindo. Só há um buraco embaixo. Por que a gente faz isso? Por que a gente não se abraça? Minha vó... parece que tudo que vale a pena tá me deixando. Eu to tão sozinho. Eu te amo tanto.

sábado, fevereiro 26, 2022

 Que tristeza é o sentimento de que você nunca mais será feliz na vida. Que desesperador o fato de que isso é só triste e não desesperador.

quinta-feira, janeiro 13, 2022

Lá vou eu buscar a Luisa no aeroporto.
Lá vou eu aproveitar a boa vontade do tempo longe pra focar nas partes boas, até que a parte ruim volte a se fazer presente. E cada vez ela se faz presente mais rápido. Um eterno groundhog day que cada vez é mais curto.

Há duas maneiras de ver isso.

sábado, janeiro 08, 2022

Ontem antes de dormir, assisti mais um episódio do genial "How to with John Wilson". O episódio da vez era o adequadíssimo "How to remember your dreams". Eu vim pensando uma vez ou outra o quão pouco eu sonhava e como ultimamente meus sonhos estavam ainda mais escassos. Ou então, como ele bem diz no episódio, eu só não tava lembrando, afinal, a média humana é, supostamente, de 4 sonhos por sono de 8 horas. Lo and behold, eu acordo hoje e não só sonhei, como me lembro e venho aqui relatar - apesar de que, sim, lembro de 3 sonhos e o quarto eu não lembro.

Na real, talvez tenha sido um sonho só, daqueles que você entra num buraco da parede de casa e sai numa porta de um avião, mas enfim, deixa eu focar num sonho/parte, porque eu achei muito doido - como pode um sonho fazer isso?

Eu estava em algum lugar com o Neil Drake, aquele americano que microdose LSD, tem uma kombi chamada "fofinha" em Foz do Iguaçu, namora a Bella, uma brasileira gatíssima, tem um dog Hurley velhinho, pesca peixes gigantes e viaja pra Antártica onde tira fotos iradas de natureza. Sim, ele em si é material de sonhos, pois os signos que o representam são todos malucos e misturados. Enfim... acho que porque eu comentei ontem que achava curiosa essa linha de conteúdo de instagram/tiktok de "gringos comentando como é ser gringo no Brasil/ensinando inglês", acabei juntando as coisas e sonhei que ele chegava e falava "Como é to speak with the torchlight em português?"

Pra quem não sabe, to speak with a torchlight é uma expressão que significa algo como "falar privadamente, falar algo confidencial, que requer atenção". Torchlight = aquela tocha de fogo que as pessoas carregavam antes de ter eletricidade, afim de iluminar os lugares. Então, permaneceu a expressão até hoje de, quando necessitar falar algo "aqui entre nós", um assunto que requer atenção e até sigilo, falar "we should talk; but not here. We should speak with a torchlight"

Exceto que... não. Não existe essa expressão. Eu procurei no google por algum motivo. Mas no sonho, aquilo fazia todo sentido. Ele perguntou isso e eu tive dificuldade de achar um equivalente em português, mas não de entender o que essa expressão que não existe significava. Era tipo óbvio, domínio público.

Quão doido é isso?

Muito podia falar sobre isso, mas acabei de acordar. Não tenho a força nem a destreza cerebral pra tal. Porém, dentre essas muitas coisas, a que vou escolher focar é aquela história de que "build and it will come" do filme "Field of DREAMS"(!), que acabou sendo, inclusive, o final do episódio do "How to with John Wilson". Então está lançada a campanha para tornar essa expressão, que me parece fazer muito sentido, algo popular. Algo que não é só uma loucura de sonhos, até porque não é loucura at all.

Convido-vos através deste post a chamar os amigos para uma reunião importante pós expediente, onde você vai expor para eles uma coisa importante (a divulgação dessa expressão rumo à massificação). Mas, pra dar certo, não banalize. O ser humano gosta de um mistério; valorize a missão. Não fala de cara o motivo da reunião. Fala pro convidado pra ele não convidar mais ninguém e nem postar na internet. Pede pra desligar o celular antes de você começar a falar. Afinal, você precisa de toda a atenção deles. Você não pode disputar com outros assuntos.

Você precisa speak with a torchlight. 

sábado, janeiro 01, 2022

Sneaky... 2022!

Porque o relógio do artur ainda tá no Brasil, apesar de ser 10:38 em Miami, ele deu esse ultimo post como primeiro de 2022, meia noite e 38. 

Ha! Gostei. Chupa, 2021!

Que seja um bom presságio. 2022 é um ano importante: VINTE anos de artur!

Vou me empenhar pra fazer um livro com os melhores posts daqui. Merece. Tomara que valha a pena.

Sneaky 2021 acabando com um dia lindo de praia, solzinho, produtividade, pra gente achar que vai ter saudade. Mas não vai. E nem sei se isso significa que 2022 vai ser rmelhor. Precisamos mesmo de um ano novo? Todo ano parece que piora, ultimamente. Não lembro de um ano novo recente que foi melhor que o anterior. Eu taria de boa com algum ano usado. 2007, 2011, 2012, 2014... hell, 2010 parece bom em comparação com os atuais.

Sneaky 2021 também sinalizou uma solução aos meus problemas pra falar "ha! to de brinks; volta 3 casas, otario".

Esse foi o ano mais sozinho da minha vida. Nunca me senti tão sozinho. Eu podia ser sozinho. Mas era por opção. Tinha gente querendo, eu que ficava/gostava de ficar sozinho. Agora pago o preço. Vou passar não só o reveillon sozinho, como os quatro próximos dias. Tomara que eu aprenda. Que essa raiva misturada com tristeza, angústia e overall sentimento de quem está completamente perdido me consuma de tal forma que eu finalmente trace uma linha e dê um basta a essa merda que tem sido minha existência. Que eu ganhe coragem e certeza, pois estou perdido e covarde perante a tudo. Medo de perder o que já não tá valendo mais nada. Mas aí eu volto pro lance do ano usado: quem me garante que isso, mesmo sendo essa merda, não é as good as it gets?

Whatever. Sei nem o que dizer. Escrevi e apaguei milhões de coisas. Não consigo nem concordar comigo mesmo. Esse é o efeito desse ano em mim. O ano que fui tão abandonado que me abandonei também. Ai tadinho, pobre coitado esquizofrenico filho da puta. Fica sozinho pra se fortalecer na pena dos outros. E ainda põe a culpa num "ano". 

Enfim...

Vaza 2021! 2022 favor não me faça ter saudades de 2021.

quinta-feira, dezembro 23, 2021

A quimioterapia é a maior conjunção entre a ciência e a fé.

Você mata, via processo científico, todas as células ruins (e as boas), na esperança - instrumento de fé - de que o corpo seja forte e rápido o suficiente pra regenerar, criar novas células saudáveis a tempo. Mas essencialmente o movimento pra isso é a destruição. Você torce pra que o corpo aguente. Às vezes ele não aguenta.

Ainda assim, ninguém vê a quimioterapia como uma tentativa de encerrar aquela vida. Coloca-se o paciente para passar por tudo aquilo porque se quer muito que ele continue vivendo e, uma vez vencida essas dificuldades, ele tenha uma vida ainda melhor, mais feliz; exatamente por ter sobrevivido toda aquela provação.

A gente tentou os processos científicos. Faltou a fé? A contagem de células tá e tem sido muito baixa, mas a última sessão tá quase aí... 

Isolada, essa dor que vai vir da última e derradeira sessão talvez não seja nem tão forte. Mas comparativamente - pois tem sido tão exaustivo o processo, eu sei, eu vivo isso junto; é o nosso corpo - parece ser demais pra suportar. Será que é mesmo melhor jogar a toalha? Não vale a dor pra poder chegar a esse novo momento onde todas as células são transformadas e temos um corpo limpo e saudável pra aproveitar esse momento global de transformação? 

Ou a transformação é abraçar a morte? Não consigo ver como. Mudam os signos; o processo continua o mesmo. E pior, porque a gente passará a viver pra sempre com a mágoa e a cobrança de não ter feito o suficiente. de não ter sido suficiente. com a dúvida embebida em ansiedade do "e se?". E isso é eterno; não tem fé nem ciência que vão trazer as respostas pra essas dúvidas e a pomada pra essas chagas. É ficar satisfeito com um tumor benigno, que é contido e não vai invadir outras massas (mas ainda vai causar um bando de doenças), ao invés de tentar erradicar de vez um tumor maligno e poder viver livre e saudável.

Se há dúvidas: eu escolho aguentar a quimio do maligno. Todas as vezes. Porque lembro como esse corpo saudavel era lindo, e amo ele mesmo na doença, fraco. Porque acho que ele merece o que há de melhor e trocar uma quimio no fim por uma desde o início não é o melhor. E porque tenho fé que tá quase lá e o processo ciêntífico vai ter valido a pena. 

sexta-feira, dezembro 17, 2021

Also: essa é a primeira vez que eu falo do Pastrami aqui?
Que pai eu sou... E, afinal, não é esse o tema desses últimos 4 posts que acabaram de fazer 2021 ter mais posts que 2020?
:chef's kiss:

E esse também sou eu, pensando por que diabos eu me importo tanto com a contagem de posts de ano em ano a ponto de falar "poxa, tenho que gravar um voice memo pra anotar suas idéias de posts pra que eu possa depois transcrevê-las pra virarem post, pois esse ano não pode ter menos posts que o ano com menos posts da história de 2 décadas de artur (FYI 2020 com 7 posts)"

Esse sou eu, anotando idéias no voice memo do telefone (enquanto passeio com Pastrami) pra depois escrever, porque senão eu esqueço e nunca escrevo posts no artur.

O Pastrami vive pra poucas coisas:

Comer
Dormir
Brincar de pegar coisa
Caçar lagartixa
Nos amar
(mas principalmente) Passear

Só de você falar a palavra ele já mexe a cabeça. Não dá pra falar essa palavra casualmente por outros motivos, que ele entende que ele vai sair. Fica agitado, começa a botar a cabeça no seu colo. E aí rola todo um ritual. Eu me levanto pra pegar a coleira, ou a carteira, a chave, ou o chinelo - enfim; o bicho é espero e SABE quando ele vai passear - e aí ele se agita master, fica indo pra lá e pra cá correndo, subindo no sofá, indo até a porta e voltando pra você tipo "Oh, Meu Deus! Oh Meu Deus! Chegou meu momento! Eu vou passear!" 

Mas no momento em que eu pego a coleira dele... tudo muda. Ele passa a fugir de mim. Já vi cachorro que você põe a coleira no chão e ele "entra" dentro dela, ou, no mínimo fica paradinho pra você colocar nele. Com o Pastrami eu tenho que pegar as patas dele à força dentro do buraco da coleira (aquelas de peito, porque ele, apesar de vira-lata, é cachorro de madame).

Fico pensando... ele quer na real ser livre. Fica animado por saber que vai sair, vai andar lá fora. Mas não quer ir na coleira. Ele quer ir livre. Porque, no fim das contas, ele vive aprisionado por você, humano idiota.
Deixa o cachorro ser livre!

quarta-feira, outubro 06, 2021

 Esses filmes tipo física quântica do tempo ser cíclico, o início e fim serem na real um meio de um loop... eu sempre achei uma bobeira, mas mais e mais eu fico doido pensando que pode ser real e de repente a "morte" é descobrir como trick esse sistema e poder pular pra outro momento no "tempo" e realmente não tem isso de início meio e fim. A gente que criou narrativa pra fazer sentido dessa loucura toda que é o "tempo".

E essa minha revisão tem vindo muito por causa da música. Eu sempre falei que música é a linguagem do divino, ne? Se der um search aí no artur deve achar em algum momento eu falando isso, mas, se não escrevi, com certeza já falei em conversas por aí zilhões de vezes. Lembro inclusive, uma vez, caminhando pra PUC, de conversar isso com alguém. Talvez o Daniel Sydens... lembra dele? Enfim... falo isso porque porra... o que é a música? Como a gente acessa ela? Caralho, a música sucita tanta coisa... tipo, como o homem codificou o "som" pra definir o que era a nota e o que era o meio do caminho entre ela? E depois a combinação pra fazer acorde... pqp. Que bruxaria maravilhosa. Só pela música a experiência humana já vale a pena. 

Enfim, falei "codificou" porque os sons já existiam independente da gente. É de "Deus". E aí na hora da gente compor canções... como é isso? Como a gente acessa na nossa cabeça essas "alturas" de som e resolvemos combinar com outras e criar dinâmicas... nada disso tá dentro da gente, saca? A gente se conecta a alguma energia e traz do imaterial pra uma espécie de materialidade simulada.

Há quem seja tão escolado nessa bruxaria (chamar de ciência é muito pragmático pra mim) que acaba compondo com alguma lógica, intenção, método. Ou pelo menos eles dizem isso. Mas pra mim, um amante amador, sempre foi muito uma espécie de reza: você fecha os olhos, tira o máximo de razão do seu corpo e deixa ele ir sozinho na emoção, buscando os acordes que forem. Não manda muito. E isso acontecia tambem com as letras. Saía alguma frase/idéia qualquer da cabeça e em cima dela eu ia indo. Mesmo nos raps do Reverendo! Eu até pensava antes em um tema, no "o que eu quero falar nessa música?" e ficava ouvindo o beat milhões de vezes, pensando em um flow, até que em algum momento eu só cuspia a letra quase pronta e, por fim, dava alguma burilada só pra encaixar o que foi tão paixão que necessita razão pra fazer algum sentido.

Tendo dito tudo isso, voltemos pro lance do tempo:

Como eu posso explicar "Par ou Ímpar?", uma música que fiz em 2001, nem namorada eu tinha, sobre RELACIONAMENTO ABERTO? 

Eu nem sabia que isso existia. Muito menos que ia viver isso 18 anos depois.

E to lá falando "seu amor é par, mas o meu não é. eu só quero você como minha mulher". Eu fazia essas musicas e pensava "nao faz o menor sentido isso tudo, mas dane-se é só pra rimar". Só que hoje eu olho e caraca, o primeiro verso é a Lu, o segundo sou eu?

E depois, como explicar em "Queixo", que fiz em 2013, quando falo "abraço o meu unicórnio, o nome dele é Henrique, conheci ele no arco-íris lá de Recife"... 4 anos antes de conhecer o Henrique, gay, marido do Erick, de Recife?

Isso é a minha humanidade criando narrativa pra suportar o caos temporal? Ou será que se a gente fechar os olhos e se despir da razão a gente consegue ouvir os suspiros do passado e enxergar visões do futuro? E se aquela minha teoria da vida eterna for verdade? Sabe quando dizem que na hora que a gente vai morrer passa um filme da nossa vida? Então, imagina: você vai morrer e de repente revive a sua vida toda até o momento onde você vai morrer e aí passa um filme da sua vida e você revive ela toda até o momento onde você vai morrer e aí passa um filme da sua vida e... enfim, você nunca morre.

Se isso for verdade... talvez seja isso. Os deja vus, as intuições, a música e essas bruxarias são nada mais que resquícios dessa rerun interminável que é a vida. São os pequenos lapsos no meio da madrugada, entre uma pescada de sono e outra no sofá. Que são percebidos tão somente nos momentos de desconexão com nosso medo do caos. Nos momentos onde esquecemos a narrativa e abraçamos o randômico.

O que me leva a outra opinião doida e não-ortodoxa, de que o câncer e o Alzheimer não são doenças e sim mecanismos de purificação da maldição que é o viver. A vida é benção, mas o viver é uma maldição do caralho. O câncer mata tudo pra disso nascer um novo ser - o próprio, as vezes, mas sempre todos que o cercam. O Alzheimer vai pouco a pouco apagando tudo pra que saiamos desse loop viciante de falsas novidades.

Porque o sentido da vida é o novo. É a transformação. A repetição é a morte. 

No começo desse devaneio falei que a morte é descobrir como trick esse sistema e pular pra outro momento no tempo. Talvez não. Talvez seja o contrário. Talvez a morte seja o único jeito de pular fora dessa mesmice? Não sei. Só saí escrevendo o que saía de mim. 

Talvez seja algo que aprendi no futuro? 

domingo, agosto 22, 2021

Seriously, what are we doing as human beings? This experiment has completely failed, blew up on our faces. My friends have no space to put things on their table because it's taken by medicine. And they are away, traveling, so this sea of pills, "vitamins" and stuff they need to be "healthy" is only stuff they DON'T need to have during the week. 

I just read Billie Eilish has a condition that supposedly makes her associate things with shapes and colors. Isn't that imagination? If it's "associate", I think it it is. If it's "see" things as shapes and colors, then, I'm really tired of this world. A world I associate with shit but am more and more seeing as shit.

This has made me so uncomfortable. And then I get up, the AC is stuck again. I open the valve and this time, of course, a RIVER of water comes down from it, making the floor all wet, the bucket did nothing because there was so much water. And these dogs do nothing but pee and shit all over all the time. I can't take it anymore. Maybe pharma is not that evil. Maybe they are the only ones who could save us because I'm being foolish thinking I can live more than 40 (I'm 3 years away from that btw) without taking none of the thousand pills, vitamins and medicines my friends have all over their table.


quinta-feira, maio 06, 2021

Tava pensando que quando eu era pequeno os ricos eram em sua maioria feios. As mulheres deles não eram gatas. E hoje, além de tudo, eles são tão ou mais bonitos que "o resto".

Talvez porque o que ditava essas uniões era uma parada classista de manter a riqueza entre eles. Mas acho que tanto os caras pensaram "porra, quero tudo; mulher bonita também! foda-se manter entre a gente e só ter mulher gostosa pra tesão; sou milionário e quero ver e mostrar beleza toda hora" e aí com as gerações passando eles ficaram bonitos, quanto mercantilizaram e padronizaram tanto a beleza que basta ter dinheiro pra fazer os procedimentos que deixam eles bonitos.

E é isso; não tenho mais nada pra falar não. Sinto que o mundo é terrivelmente desigual e até isso o dinheiro consegue agora comprar. 

Mas isso não é novidade pra mim, né? Venho falando há uns anos o quanto não me importo com esse jogo e não quero jogar. Mas era ingenuidade minha. Não há como não jogar esse jogo. 

O capitalismo é Jumanji; você tem que zerar pra poder não jogar.

And that fucking sucks.

terça-feira, maio 04, 2021

eu to um pouco sem saco pra filmes que só fazem um "painel", dão um "panorama" de alguma situação.

sinto que tem que ser uma situação muito ampla e substancial e multifacetada, tão cheia de personagens, que requer uma coisa assim pra fazer sentido.

assisti esse "nomadland" e foi o ápice desse sentimento. nada acontece com o protagonista. tipo, muita coisa aconteceu. mas "e aí?". esse é o grande sentimento e não dá pra sempre justificar com "mas é isso mesmo? e aí? a vida não traz respostas e Zzzzz... "

no caso específico desse, sei lá, é meio triste, porque acho que fala muito da era que vivemos, onde se cultua tanto o capital e seus signos e a gente tá tão descolado da base (mesmo estando muito mais próximo dela do que do topo), que a grave situação de homelessness nos EUA por causa de gentrificação, robótica, amazon, silicon valley, highways etc. + toda a enorme quantidade de pessoas de coração quebrado com o capitalismo que buscam uma vida mais significativa e barata e (acham que) encontram isso na vida de nômade, parece ser... uma novidade. algo que os chama a atenção pelo ineditismo e, disso, nasce o interesse e praise ao filme. porque a abordagem é bem meh.

eu morei numa van por 8 meses. viajando os eua, com muita interseção com os lugares por onde o filme tenta transitar. indo as vezes mais darkzeira que ele - alo méxico, alo pandemia. achei que o filme nessa pau molecencia de aspiração de ser "painel" foi razo pacas. não me vendeu 20% do medo que é não saber o que te encontra no fim da estrada. a batalha homem x natureza. as inseguranças. a impossibilidade de sair do fundo do poço. de estar sempre a um acidente da completa falência. dos olhares dos outros quanto a sua situação. a humilhação de ter que pedir dinheiro porque algo quebrou na van - tratada como um pedaço de carro, quando é sua casa, tudo que você tem. quando você não tem nada e nada é tudo que você tem. as liberdades tambem, o lado bom da coisa.

o melhor momento do filme, pra mim, é todo o momento que ela vai pra casa da irmã - ao todo uns 8 minutos, at best, do filme - quando ela, no churrasco, dá uma peitada no real estate agent-- só pra, pau mole, cortar o papo rapidinho. decepção. um tema tão bom e importante.

sou 10 mil vezes o "Sound of metal", mas, sei lá, talvez seja isso que eu to falando do Nomadland e eu gostei mais porque eu nunca vivi isso, então parece "fresh" pra mim?